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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Luto em Mangueira ( Jorginho Pessanha / Padeirinho / Xangô da Mangueira )

A Mangueira está de luto
Mas seus tamborins não vão silenciar
Vai começar tudo de novo
Para a alegria do povo
A mangueira não pode parar
A mangueira não pode parar

Mangueira perdeu um fruto do seu galho
Mas continua o trabalho
Pra quem partiu tem samba em seu louvor
Vamos para o terreiro da escola
Já afinei minha viola
Um samba pra mangueira vou compor

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O velho Batuqueiro (Xangô da Mangueira)

Olha o meu pagode aí
O meu pagode é de um velho batuqueiro
Que já cantou muito samba, freqüentou vários terreiros

Quando eu pego na minha viola
Cantando meu samba falo o que sinto
Meus companheiros de fato
Sabem que é verdade eu falo e não minto

Já morei lá no Catete, fui vizinho do presidente
Hoje eu canto em Mangueira lugar que tem boa gente

Outro dia fui num samba lá na casa do Turituré
O pagode tava bom tinha pouco homem e muita mulher

Louvação aos grandes e aos pequenos (Xangô da Mangueira / Waldomiro do Candomblé)

Eu vim aqui com toda minha gente
Salvar os grandes, também os pequenos
Salvar os grandes, também os pequenos

Comprei um arreio novo, coloquei no meu alazão
Vou buscar Mariazinha dona do meu coração
Eu preciso beber água na palma da sua mão
Eu preciso beber água na palma da sua mão

Minha mãe me abençoava, toda vez que eu partia
Para uma vaquejada, fosse noite ou fosse dia
E rezava uma prece a nossa senhora da Guia
E rezava uma prece a nossa senhora da Guia

Me lembro da minha terra
Que eu plantava o que eu queria
Lembro do meu velho gado e também meu boi de guia
Lembro do meu velho gado e também meu boi de guia

Minha mãe me abençoava, toda vez que eu partia
Para uma vaquejada, fosse noite ou fosse dia
E rezava uma prece a nossa senhora da Guia
E rezava uma prece a nossa senhora da Guia

Não xinxa o boi (Xangô da Mangueira)

Não me xinxa o boi, você não vai xinxar
Não me xinxa o boi jetuá, o meu boi marabá

Você diz que vai no céu e nas nuvens vai pegar
Eu tenho muito que me rir de xinxar o meu boi marabá

O meu boi foi batizado no portão do meu terreiroA madrinha foi Jurema, o padrinho Boiadeiro

Perdi minha Alegria (Vadinho / Murilo)

Perdi a minha alegria e depois, eu fiquei sem meu amor
Eu vivo a cantar, é para aliviar essa minha dor
Eu vivo a cantar, é para aliviar essa minha dor

Eu não quero seus carinhos não quero mais seu amor
Pra viver contrariado prefiro viver como estou
Por conta de você minha vida transformou
Eu deixei de ser malandro para ser trabalhador

Quando eu era pequenino minha mãe sempre dizia
Meu filho não vá atrás das mulheres de hoje em dia
Da fruteira nasce o pinho, do pinho nasce o pinhão
Do homem nasce a firmeza, da mulher ingratidão

Carolina meu bem (Xangô da Mangueira)

Carolina meu bem você lava esta roupa depois vem
Você passa esta roupa depois vem, Carolina meu bem

Carolina é moça nova, é prendada e educada
Lava roupa o dia todo, passa até alta madrugada

Carolina ta zangada, por isso não quer falar
Lavou roupa o dia todo, não tem tempo pra descansar

O Namoro de Maria (Xangô / Aniceto do Império)

Maria tá namorando to olhando só
Tá, tá, tá namorando, to olhando só

Morava na piedade perto da rua Bergó

É por isso que eu pego, dou a volta e dou o nó

Ela na roda do samba, sambando parece cobra cipó

Todo mundo namorando, só Xangô que vive só

Formiguinha Pequenina (Xangô)

Formiguinha pequenina já mordeu meu pé
Formiguinha pequenina já mordeu meu pé


Trabalhava na fazenda, Na Fazenda Santa Fé
E foi lá que a formiguinha, Não é que mordeu meu pé

Vai se embora gavião, sai de cima do telhado
Deixa o meu amorzinho, Dormir sossegado

Todo mundo quer saber de onde vem meu fundamento
Pela causa coloquei na janela um papavento

Ela já mordeu meu pé, ela já mordeu meu pé
O nome dessa formiga, Chama Lava-pé

Coração em festa (Xangô / Padeirinho)

Não há, quem cante mais do que eu
Cantar, só eu a as aves da floresta
Brincar, fui eu em meu tempo de criança
Hoje guardo na lembrança meu coração em festa

As vezes eu ficava triste a me lembrar
Quando a minha me chamava e comigo ralhava
Dizendo meu filho venha estudar
Já chega de brincar, já chega de cantar

Não adianta falar mal de mim (Xangô da Mangueira / Waldomiro do Candomblé)

Não adianta você falar mal de mim
Todo mundo tá sabendo que você que é ruim

Você só pensa em vingança dia e noite, noite e dia
Até levou minha roupa pra fazer feitiçaria
Mas eu estou com saúde até mesmo com dinheiroCuidado que o feitiço vira contra o feiticeiro

Piso na barra da Saia (Xangô / Rubem Gerardi)

Eu piso, mulata eu piso, Piso na barra da saia, mulata
Eu piso, mulata eu piso, Piso na barra da saia, mulata

Mulata você vai a Recife me tragas um Rifle de papo amarelo
Uma caixa de bala que seja de aço
Para dar ao seu Horácio pra atirar com ela

Mulata se você jurar, que fato você quer ser mesmo minha
Mulata eu vou ser seu rei e você minha rainha

Da Bahia me mandaram um presente no canudo
Uma senhora descascada e um senhor com casca e tudo

Olha o partido (Xangô / Rubem Gerardi)

Olha meu partido alto, olha meu partido alto
Veja como fica bom meu partido alto batendo na mão
Batendo na mão, partido alto batendo na mão

Eu vou pra missa, vou correndo e vou com pressa
Me ajoelho aos pés do padre, faço em meu peito o sinal
Velho Pereira maquinista de primeira
Passa em Mangueira ele é danado pra apitar

Chega pra lá, chega pra aqui, chega pro canto
Se não me “Alevanto” chega a madeira pra lá
Menina saia do meu rumo
Canta só quando eu mandar

Quem fala alto é gogó (Xangô / Nilton Campolino)

Não quero ser o primeiro, não quero ser o melhor
Na casa de partideiro quem fala alto é gogó

No chuleio da viola vem a rima de repente
Partido não tem escola é um dom onipotente

Na casa de partideiro viola não é problema
Cavaco, prato e pandeiro solando dentro do tema

No seu tema eu dou um laço, na sua rima eu dou um nó
Partido é como eu faço na palma da mão e no gogó

Quilombo (Xangô da Mangueira / Nilton Campolino)

Ô gente o Quilombo vem aí, ô gente o Quilombo vem aí
É fácil de repetir com muito axé : Vem um bamba por aí
O negro de hoje não é como o negro de outrora
Não canta mais em lamento ele sorri agora
Não canta mais em lamento ele sorri agora

Vem sorrir, vem cantar
O Quilombo é amor pra quem sabe amar

O samba nasceu no morro (Xangô / Tia Doca)

O samba nasceu no morro, nasceu nos humildes barracões
Depois o samba desceu pra cidade
Ele se aperfeiçoou, grande sucesso alcançou
O samba foi ao estrangeiro
E hoje o samba é conhecido nesse mundo inteiro

Já na alta sociedade todos cantam com harmonia
O grande samba do morro com suas belas melodias
Já tornou-se popular, é este samba que eu vivo a cantar

Lá vem ela (Xangô da Mangueira)

Lá vem ela descendo a ladeira
Ela é bonita, vem toda faceira
Pra onde ela vai? Ela vai pro samba
Ela entra na roda, ela roda a baiana

Ela samba, ela canta, ela é sambista verdadeira
Ela sai na ala das baianas da Mangueira