Já são três horas
No relógio da matriz
E o almoço até agora ainda não fiz
Logo hoje que é dia de eleição
Está custando a cozinhar o meu feijão
Ainda tenho que passar na costureira
Pra pegar o meu vestido
Vou votar em Madureira
Mas sairei com prazer do meu lar
Pra votar, só se for
Só se for no Ademar
Só uma dona de casa
Conhece a situação
Lavo roupa o dia inteiro
Mesmo assim não chega não
Meu marido andava triste
Nem queria mais votar
Mas comprou um terno novo
Pra votar no Ademar
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sábado, 28 de abril de 2012
Vou guardar meu pandeiro (Herivelto Martins)
Eu vou guardar o meu pandeiro
Até a paz em casa de novo voltar
Não vou mais sambar
Não vou mais batucar
Eu sei que a minha turma
Vai na certa estranhar
Mas vou guardar o meu pandeiro
O mundo inteiro não vale o meu lar
Meu pandeiro batucou o ano inteiro
Agora o coitado tem que calar
Mas não faz mal
Batuqueiro não estranha não
No batuque de casa
O pandeiro da rua só traz confusão
Até a paz em casa de novo voltar
Não vou mais sambar
Não vou mais batucar
Eu sei que a minha turma
Vai na certa estranhar
Mas vou guardar o meu pandeiro
O mundo inteiro não vale o meu lar
Meu pandeiro batucou o ano inteiro
Agora o coitado tem que calar
Mas não faz mal
Batuqueiro não estranha não
No batuque de casa
O pandeiro da rua só traz confusão
Venderam o Morro (Herivelto Martins)
Eu soube que venderam
O morro da mangueira
Que bobagem, que asneira
Ficou sem teto
A gente lá do barracão
Não respeitaram
Nem a velha tradição
Barracão é sinônimo de pobreza
Barracão é antônimo de tristeza
Quem tira de um sambista o barracão
Ou não gosta de samba
Ou não tem coração
O morro da mangueira
Que bobagem, que asneira
Ficou sem teto
A gente lá do barracão
Não respeitaram
Nem a velha tradição
Barracão é sinônimo de pobreza
Barracão é antônimo de tristeza
Quem tira de um sambista o barracão
Ou não gosta de samba
Ou não tem coração
Velho descarado (Herivelto Martins)
Eu
era moço e aproveitei minha vida
Fui
me cansando ficando velho e parei
Depois
de velho à mesma vida voltei
Quanto
mais velho mais descarado
Desde
menino
Que
venho pintando o sete
Minha
vida começou
Quando
fiz quarenta e sete
Velho
é trapo que não se usa mais
Há
muito velho que usa e abusa
E
não dá pra trás
Vaidosa (Herivelto Martins - Artur de Morais)
Tens razão, tens razão
De ser assim vaidosa
És de fato formosa
Não há quem possa negar
Tens prazer
De maltratar o coração de alguém
Mas poderás um dia achar também
Alguém que não te queira mais
A formosura na mulher
É um defeito
Quando ela pensa
Que a beleza é um direito
Mulher bonita
É vitrine de avenida
Sempre formosa, sempre fingida
De ser assim vaidosa
És de fato formosa
Não há quem possa negar
Tens prazer
De maltratar o coração de alguém
Mas poderás um dia achar também
Alguém que não te queira mais
A formosura na mulher
É um defeito
Quando ela pensa
Que a beleza é um direito
Mulher bonita
É vitrine de avenida
Sempre formosa, sempre fingida
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Tudo é samba (Herivelto Martins - Fernando Lobo)
Tudo é samba, Tudo é samba
É samba a morena que passa
Mexendo as cadeiras pra lá e pra cá
Tudo é samba
Tudo é samba, tudo é samba
É samba o vento que bate
Na crista bem verde das ondas do mar
É samba, tudo é samba
A estrela que corre no céu
A jangada que corre no mar
Um dia eu vou gritar
Tudo é mais samba
Quando ao som desse samba
Todo mundo sambar
O samba, nosso samba
Nasceu de um povo varonil
Por isso nosso samba
É verde e amarelo
Representa o Brasil
Representa esse povo sonhador
E um povo que canta
É um povo feliz, sim senhor
É samba a morena que passa
Mexendo as cadeiras pra lá e pra cá
Tudo é samba
Tudo é samba, tudo é samba
É samba o vento que bate
Na crista bem verde das ondas do mar
É samba, tudo é samba
A estrela que corre no céu
A jangada que corre no mar
Um dia eu vou gritar
Tudo é mais samba
Quando ao som desse samba
Todo mundo sambar
O samba, nosso samba
Nasceu de um povo varonil
Por isso nosso samba
É verde e amarelo
Representa o Brasil
Representa esse povo sonhador
E um povo que canta
É um povo feliz, sim senhor
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Treze de ouro (Herivelto Martins - Marino pinto)
Ela tem um treze de ouro
Pendurado no pescoço
Sexta feira só vai dormir
Depois das três da madrugada
E acende tanta vela
Não sei pra quem segunda feira
Eu desconfio que essa nega
É macumbeira
Tem nos pés um par de calos
Que prevê a chuva
Já leu na minha mão
Que vai ficar viúva
Se alguém sem querer
Quebra um prato ou um copo ela diz
Você vai ficar rico
E não demora muito
Pendurado no pescoço
Sexta feira só vai dormir
Depois das três da madrugada
E acende tanta vela
Não sei pra quem segunda feira
Eu desconfio que essa nega
É macumbeira
Tem nos pés um par de calos
Que prevê a chuva
Já leu na minha mão
Que vai ficar viúva
Se alguém sem querer
Quebra um prato ou um copo ela diz
Você vai ficar rico
E não demora muito
Se
entornam bebida na mesa
Diz
que é sinal de muita saúde
De
felicidade
Em
tudo vê assombração
Se
encontra um gato preto
Dá
doce pra Cosme e Damião
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Três de julho (Herivelto Martins - Benedito Lacerda)
Trabalha, trabalha nêgo
Não há mais preconceito de cor
É lei o presidente assinou
O preconceito acabou
Depois do treze de maio
O três de julho chegou
Pra completar a abolição
Deus que proteja o chefe da nação
Que livrou uma raça de tamanha humilhação
Negro foi José do Patrocínio
Negros também foram
Os olhos de Maria
Enquanto o branco sorria
Negro sofria de paixão
Até que um dia a Princesa Isabel
Com uma tinta bem negra
Assinou decretando a abolição
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Trabalha mulher (Herivelto Martins - Benedito Lacerda)
Muita gente acha feio
A mulher trabalhar
Mas o trabalho só honra nos trás
É permitido a qualquer um trabalhar
Trabalha, trabalha mulher
É o progresso deixa falar que quiser
Antigamente a mulher não podia votar
Para escolher o chefe da sua nação
Agora não, agora não
Há mulheres no lar e na repartição
A mulher trabalhar
Mas o trabalho só honra nos trás
É permitido a qualquer um trabalhar
Trabalha, trabalha mulher
É o progresso deixa falar que quiser
Antigamente a mulher não podia votar
Para escolher o chefe da sua nação
Agora não, agora não
Há mulheres no lar e na repartição
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Teu erro (Herivelto Martins - Artur Camilo)
Tivestes tanto tempo pra errar
No entanto, foste errar no fim da vida
Pensavas talvez que fazendo o que fizeste
Buscavas felicidade,
Mas não tem tempo
De gozar este teu erro
Estás mais perto do castigo
Do que da felicidade
Podes passar pela rua onde eu passar
É com prazer que respirarei o mesmo ar
Não quero que desapareças de mim
Porque eu hei de viver
Pra assistir teu sofrer até o fim
No entanto, foste errar no fim da vida
Pensavas talvez que fazendo o que fizeste
Buscavas felicidade,
Mas não tem tempo
De gozar este teu erro
Estás mais perto do castigo
Do que da felicidade
Podes passar pela rua onde eu passar
É com prazer que respirarei o mesmo ar
Não quero que desapareças de mim
Porque eu hei de viver
Pra assistir teu sofrer até o fim
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Telefone lá pra casa (Herivelto Martins - Benedito Lacerda)
Telefona lá pra casa logo mais
Dizendo a hora que eu vou lhe apanhar
Eu saio do trabalho às cinco horas
O comércio fecha às seis,
Dá tempo de comprar
Sem fantasia é que nós não podemos ficar
Fiz um vale de quinhentos
Pra comprar sua baiana
Vou ficar endividado
Mas você há de sair toda bacana
Eu, não faz mal
Um macacão de quarenta
Tá feito o meu carnaval
Dizendo a hora que eu vou lhe apanhar
Eu saio do trabalho às cinco horas
O comércio fecha às seis,
Dá tempo de comprar
Sem fantasia é que nós não podemos ficar
Fiz um vale de quinhentos
Pra comprar sua baiana
Vou ficar endividado
Mas você há de sair toda bacana
Eu, não faz mal
Um macacão de quarenta
Tá feito o meu carnaval
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Tamborim (Herivelto Martins - J. Soares)
Tamborim, tamborim
Porque tu bates com tanta cadência assim
Porque tu bates com tanta cadência assim
Tamborim, Tamborim
O teu bater me faz lembrar um triste fim
O teu bater me faz lembrar um triste fim
Tamborim, Tamborim
Fazes lembrar um pobre coração
Que por uma paixão também bateu assim
Bateu, bateu cadenciadamente
Com o bater dolente de um tamborim
Tamborim, tamborim
Porque tu bates com tanta cadência assim
Porque tu bates com tanta cadência assim
Tamborim, Tamborim
O teu bater me faz lembrar um triste fim
O teu bater me faz lembrar um triste fim
Por isso mesmo pelo mundo afora
De tristeza chora alguém de paixão
Quanto mais bate na sua cadência
Mais eu sinto a ausência de um coração
Porque tu bates com tanta cadência assim
Porque tu bates com tanta cadência assim
Tamborim, Tamborim
O teu bater me faz lembrar um triste fim
O teu bater me faz lembrar um triste fim
Tamborim, Tamborim
Fazes lembrar um pobre coração
Que por uma paixão também bateu assim
Bateu, bateu cadenciadamente
Com o bater dolente de um tamborim
Tamborim, tamborim
Porque tu bates com tanta cadência assim
Porque tu bates com tanta cadência assim
Tamborim, Tamborim
O teu bater me faz lembrar um triste fim
O teu bater me faz lembrar um triste fim
Por isso mesmo pelo mundo afora
De tristeza chora alguém de paixão
Quanto mais bate na sua cadência
Mais eu sinto a ausência de um coração
Seu endereço (Herivelto Martins)
Procuro esquecer seu endereço
Para não me lembrar do passado
Embora não me saia do pensamento
Não sou mais aquele homem alucinado
Eu já mandei tirar meu telefone
Pra ela nunca mais telefonar
Rasguei meu livro de notas
Que tinha o seu endereço
Pois eu querendo esquecê-la, esqueço
Voltar atrás eu não devo, porém se eu fracassar
Não digam que eu fui o primeiro a voltar
Para não me lembrar do passado
Embora não me saia do pensamento
Não sou mais aquele homem alucinado
Eu já mandei tirar meu telefone
Pra ela nunca mais telefonar
Rasguei meu livro de notas
Que tinha o seu endereço
Pois eu querendo esquecê-la, esqueço
Voltar atrás eu não devo, porém se eu fracassar
Não digam que eu fui o primeiro a voltar
Seu coração é seu mestre (Herivelto Martins - Benedito Lacerda)
Seu coração é seu mestre
O mundo seu professor
Eu poderia ficar
Mas viver neste lar
Sem você concordar, não
Se algum amigo por mim perguntar
É melhor dizer que eu vou voltar
Pode retirar o meu retrato da mesinha
Mas não ponha outro já no seu lugar
Pode ser que o coração esteja enganado
E eu acabo regressando
Não, não é a primeira vez
Nossas brigas não duraram
Nunca mais de um mês
O mundo seu professor
Eu poderia ficar
Mas viver neste lar
Sem você concordar, não
Se algum amigo por mim perguntar
É melhor dizer que eu vou voltar
Pode retirar o meu retrato da mesinha
Mas não ponha outro já no seu lugar
Pode ser que o coração esteja enganado
E eu acabo regressando
Não, não é a primeira vez
Nossas brigas não duraram
Nunca mais de um mês
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Sem ela (Herivelto Martins)
Eu era tão diferente
Sem ela, sem ela
E ela me apareceu
De repente, de repente
Agora eu vivo com ela
Contente
Mas a minha mudança
Quem é que não sente
Os amigos me aconselham
Manda essa mulher embora
Ela já soube
Coitadinha como chora
Sem eles não vivo bem
Sem ela muito pior
Mas, contudo
Viver pra ela é melhor
Sem ela, sem ela
E ela me apareceu
De repente, de repente
Agora eu vivo com ela
Contente
Mas a minha mudança
Quem é que não sente
Os amigos me aconselham
Manda essa mulher embora
Ela já soube
Coitadinha como chora
Sem eles não vivo bem
Sem ela muito pior
Mas, contudo
Viver pra ela é melhor
Se o morro não descer (Herivelto Martins - Darci de Oliveira)
Se a turma lá do morro
Fizer greve e não descer
A cidade vai ficar triste
Carnaval vai morrer
O tamborim já está de prontidão
Estão de guarda a cuíca e o violão
Em toda a cidade é um grito de socorro
Se a escola não descer
Carnaval vai ser no morro
Todos os morros estão querendo saber
Qual é a ordem que tem que prevalecer
Se as escolas não tiverem liberdade
Carnaval vai ser no morro
Ninguém desce pra cidade
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Se ela sente saudades (Herivelto Martins - Valdemar Gomes)
Se é que ela sente saudade
Por que é que não vem me falar
Pois do contrário jamais
Minha voz ela ouvirá
Ela já sabe
Que a jura que eu fiz
Eu não vou quebrar
Se ela voltasse pra casa talvez
Compreendesse o mal que me fez
Ela não vem e eu não vou procurar
Eu não procuro, ela não quer voltar
Por que é que não vem me falar
Pois do contrário jamais
Minha voz ela ouvirá
Ela já sabe
Que a jura que eu fiz
Eu não vou quebrar
Se ela voltasse pra casa talvez
Compreendesse o mal que me fez
Ela não vem e eu não vou procurar
Eu não procuro, ela não quer voltar
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Valdemar Gomes
Se é por falta de adeus (Herivelto Martins)
Você vem,
Você fica e não sai
Você veio tão cedo
Que até almoçou
E depois pra fazer companhia
Você foi ficando
E até já jantou
Já são sete horas da noite
E você só ensaia sair
Mas não sai
Você não entende
As piadas que eu jogo
Se é por falta de adeus,
Até logo, até logo
Se a dor que mora n'alma
No meu rosto se estampasse
Talvez na minha casa
Você nunca mais voltasse
Você é um castigo
E castigo eu não mereço
Pelo amor de Deus
Esquece o meu endereço
Você fica e não sai
Você veio tão cedo
Que até almoçou
E depois pra fazer companhia
Você foi ficando
E até já jantou
Já são sete horas da noite
E você só ensaia sair
Mas não sai
Você não entende
As piadas que eu jogo
Se é por falta de adeus,
Até logo, até logo
Se a dor que mora n'alma
No meu rosto se estampasse
Talvez na minha casa
Você nunca mais voltasse
Você é um castigo
E castigo eu não mereço
Pelo amor de Deus
Esquece o meu endereço
Se a vida não melhorar (Herivelto Martins - Príncipe Pretinho)
Se a vida não melhorar , meu amor eu não vou sair
A fantasia de seda Teresa não vai vestir
E o quimono amarelo que você comprou vai voltar
Diz que ficou apertado e traz o dinheiro
Que eu vou precisar
E diz a criançada
Que o papai desempregou
O dinheiro que se tinha
Há muito tempo se acabou
Fantasia não é coisa
De muita necessidade
E na hora do aperto
O dinheiro é que fala a verdade
A fantasia de seda Teresa não vai vestir
E o quimono amarelo que você comprou vai voltar
Diz que ficou apertado e traz o dinheiro
Que eu vou precisar
E diz a criançada
Que o papai desempregou
O dinheiro que se tinha
Há muito tempo se acabou
Fantasia não é coisa
De muita necessidade
E na hora do aperto
O dinheiro é que fala a verdade
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Herivelto Martins,
Príncipe Pretinho
Saudade da Mangueira (Herivelto Martins)
Tenho saudades da Mangueira
Daquele tempo em que eu batucava por lá
Tenho saudade do terreiro da escola
Eu sou do tempo do Cartola
Velha Guarda, o que é que há?
Eu sou do tempo
Em que malandro não descia
Mas a polícia
No morro também não subia
Aí Mangueira,
Minha saudosa Mangueira
Depois que o progresso chegou
Tudo se transformou
E a Mangueira mudou
Já não se samba mais
À luz do lampião
E a cabrocha não vai pro terreiro
De pé no chão
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