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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Volta para a minha Companhia (Mauro Duarte)

Volta para a minha companhia
Eu já deixei aquela vida de orgia
Nosso lar será feliz
Há de imperar o amor
Tu serás a minha imperatriz
E eu o seu imperador

Violão Amigo (Mauro Duarte / Walter Alfaiate)

Quem me despertou que eu lhe tinha amor
E abriu meu coração foi meu violão
Até sorrias das brincadeiras
Quando diziam que serias minha companheira

Eu te amava e não sabia
Até que um dia
Ao fazer um acorde no meu violão
Procurando fazer uma nova canção
Veio teu nome na minha imaginação

Vazio (Mauro Duarte / Elton Medeiros)

Ando tão vazio
E esta irregularidade persiste
Se pelo menos existisse uma saudade
Eu estaria triste

Silêncio trago dentro de minh’alma enfim
Não sei pra onde vou nem de onde vim
Se faço referência a tão cruel situação
É num instante de alucinação

Timidez (Mauro Duarte / Noca Da Portela)

Nossa timidez
Fez conosco fez o que faz com muitos
Sinceramente amor
Sem ela há tempo estaríamos juntos
Nosso olhar fugia temendo a realidade
E a gente sem saber
Que os nossos corações se amavam de verdade
Quanto tempo chorado
Quanto tempo sofrido
Vamos recuperar esse tempo perdido amor

Sorris De Mim (Mauro Duarte / Walter Alfaiate)

Sorris de mim
Podes zombar eu sei
Eu não vou chorar
Que por amor nunca chorei

Podes rir do meu fracasso
Podes rir da minha dor
Me chamar de palhaço
Mas palhaço que já desfrutou do teu amor

Sonho De Criança "Estado De Coisas" (Mauro Duarte / Noca Da Portela)

Lá se foi minha esperança,
Lá se foi meu bom viver
O meu sonho de criança
Alguém veio desfazer
Só restou uma saudade
Que em meu peito ainda mora
Alegria aborrecida
Se mandou de porta a fora
Da paz me desencontrei
E nesse estado de coisas
Pergunto a mim mesmo: Quem sou eu? Nem sei...
Só sei que predomina a nostalgia em mim
Me fazendo tão sofrido assim

Sofro Tanto (Mauro Duarte, Maurício Tapajós, Paulo César Pinheiro)

Ai, sofrer, ai chorar
Eu derramo tanto pranto
Sofro tanto sossego nem pensar

Abriu no peito uma ferida
E eu trago minha alma dolorida
Não faço outra coisa na vida
É sofrer sem ter peso
É chorar sem medida

Serrinha (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

Serrinha
É o império do samba chegando
É o povo te homenageando
Te escolhendo como a preferida
Serrinha, que no meio de tanta riqueza
É uma dama da alta nobreza
No cortejo real da avenida

Mas que sedução
Que triunfal
Teu pavilhão imperial
És tradição, és imortal
Sobre as cores verde e branco
Repousa a coroa do império sobre o carnaval
Mesmo quando perde o povo grita é o vencedor
Porque o povo tem o coração de imperador
Império serrano é a minha escola que dá prazer
É o prazer da serrinha
E nos orgulhamos de dizer
Imperial, imperial
Eu sou também efó geral
Por isso vem, vem pessoal
E vamos jurar a bandeira imperial

Um Ser De luz (Mauro Duarte / João Nogueira / Paulo César Pinheiro)

Um dia um ser de luz nasceu
Numa cidade do interior
E o menino Deus lhe abençoou
De manto branco ao se batizar
Se transformou num sabiá
Dona dos versos de um trovador
E a rainha do seu lugar

Sua voz então
A se espalhar corria chão
Cruzava o mar levada pelo ar
Onde chegava espantava a dor
Com a força do seu cantar

Mas aconteceu um dia
Foi que o menino Deus chamou
E ela se foi pra cantar
Para além do luar
Onde moram as estrelas
E a gente fica a lembrar
Vendo o céu clarear
Na esperança de vê-la, sabiá

Sabiá, que falta faz sua alegria
Sem você, meu canto agora é só melancolia
Canta meu sabiá, voa meu sabiá
Adeus meu sabiá, até um dia

Sublime Primavera (Mauro Duarte, Paulo César Pinheiro)

Tem um dia que a gente sempre espera
A chegada da sublime primavera
Só não pode é desistir nem blasfemar
Que vai chegar (2x)
Tem momentos em que a gente desespera
Pois parece uma ilusão, uma quimera
Mas também não custa nada se sonhar
Que vai chegar (2x)

Por pior que seja a vida
Eu não vou viver tristonho
Pois a única saída
É acreditar no sonho
De uma árvore caída
Tem raiz que ainda teima no chão se agarrar
Que a esperança não duvida
Da sublime primavera perdida que vai chegar

Samba do Eleitor (Mauro Duarte, Adelcio De Carvalho)

Doutor não esperava essa do senhor
Errou ao ser eleito esqueceu do eleitor
Fez tanta promessa até agora
Com a sua ingratidão o morro inteiro chora
Torneiras o senhor colocou
Mas acontece que a água não chegou
Está cheia de poços a favela
Mas até hoje a luz ainda é vela

Ouça bem, doutor
Até falar teu nome no morro dá medo
Eu que era o bamba da escola do lugar
Não posso cantar mais samba enredo

Samba de Botequim (Mauro Duarte, Paulo César Pinheiro)

Pra mim um verso de poeta
E a melodia de um compositor
É sempre a minha forma mais direta
De combater a força de uma dor
Pra mim o papo de um amigo
E um copo de um bom vinho ou de um licor
Já é o que eu preciso ter comigo
Pra enfrentar qualquer perigo de desilusão no amor

Foi isso que aprendi no chão da rua
Foi isso que aprendi no botequim
Por isso é que saio buscando nas noites de lua
Alguém que na mesa de um bar cante um samba pra mim

Sacrifício (Mauro Duarte, Maurício Tapajós)

E a reza- Amém
E o sacrifício- Amor
Quantos trocados- Sem vintém
E no ofício- A mesma dor
E a chama- Acesa
E no peito- Um coração com um turbilhão de tristeza
E o resto- nada
E a famíla- vai mal obrigada como eu
Não sei como ninguém ainda não morreu

Reza, Meu Bem (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

Reza, meu bem
Reza que acalma
Reza pelo nosso bem
Pelo corpo e pela alma

Sem blasfemar
Vou rezar do jeito meu
Meu altar são os braços teus
Sem transgredir
Já escrevi os versos meus
Junto a ti estou junto a Deus
Ô ô ô ô
Do teu lado a vida tem sentido
Ô ô ô ô
Junto a ti me sinto convertido

Resgate (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

Revendo os mais belos sambas da nossa história
Quantos compositores morreram sem glória
Foram esquecidos em seu mundo de ilusões
Muitos sempre exerceram outras profissões
Mas o dom maior acho que foi o samba nos seus corações
Alguns poetas não viram nada ser gravado
Mas seus versos vão de boca em boca
Porém com o tempo serão apagados
Deles nada restará nem mesmo o seu passado (2x)

Sinto que a hora é de resgatar
Vamos dar valor a arte popular
Que ela sempre foi quem fez a festa
Mas jamais se manifesta
Quando tem que desfrutar

Salve os poetas, salve os bons compositores
Que não puderam realizar sua vontade
Salve os humildes, artesãos, trabalhadores
Salve os que guardam consigo sua vã felicidade
Salve o talento dos anônimos autores
Que não puderam demonstrar sua vaidade
Salve os artistas esquecidos, sonhadores
Que escreveram pelas ruas a história da cidade

Reserva de Domínio (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

Um coração tão machucado como o meu
Não tem mais forças pra agüentar uma outra dor
Já está cansado de aventuras
Foram tantas amarguras
Tá difícil de encarar um novo amor

Mas sei que muitas insistências vão surgir
Com a carência que hoje existe por aí
Pois a alma aflita pelo tédio
Mediante tanto assédio
Se também se descuidar vai sucumbir

Mas tem que suportar
Sem se preocupar
Com as palavras atiradas pelo chão
Com as promessas perturbando o coração
São juras e mais juras desvairadas
Que eu presumo aparecer
Mas pra não sofrer
Tenho que me armar
Pro domínio não perder
Sei que água mole em pedra dura
Tanto bate até que fura
E é o que não pode acontecer

Pra que afinal (Mauro Duarte / Adelcio de Carvalho)

Você só quer me ver chorando
Triste me lastimando
Parece que o meu penar é seu prazer
Esquece que este maltratar constante
Nos deixa cada vez distantes
Do mundo em que vivemos e que sonhamos ter

Afinal se o amor existe
No que consiste esse maltrato
Não consigo entender
Será um novo modo de viver
Ai de mim, tempo passando
E eu me acabando
Pra quê, pra quem?
Pra nada pra ninguém

Perdão (Mauro Duarte / Maurício Tapajós / Paulo César Pinheiro)

Ai, perdão, venha ao encontro de mim
Já ando necessitado
De também ser perdoado
Para dar perdão no fim

Nesse mundo todo mundo erra
Jesus Cristo quando andou na Terra
Não errou mas foi sacrificado
E clamou por todos nós

Perdão eu vou tentar ser assim
Pois perdoando o pecado
Eu posso ser perdoado
Se sobrar perdão pra mim

A Paixão e a Jura (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

Eu ando sofrendo tanto
Quando essa paixão me invade
Que às vezes me pego em pranto
Com receio de ferir outra amizade
Você me procura
E eu não sei negar amor nem resistir
Mas fiz uma jura
E essa jura é tão difícil de cumprir

Eu tenho pensado nisso
Mas não sei na realidade
Se desfaço o compromisso
Ou se evito um grande amor contra vontade
Isso é uma tortura
E eu sei bem ninguém por mim vai decidir
E a paixão e jura
Vão fazendo o coração se dividir

Talvez tudo isso seja breve
Talvez eu volte ao meu caminho
Talvez essa paixão me leve
Talvez eu venha terminar sozinho

Nunca Mais (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

Nunca mais (6x)
Nunca mais ouvirei somente a voz do coração
Quanto mais quando a gente segue a trilha da paixão
Tanto faz para o coração sofrer ou não
Mas a tristeza deixa a gente sem defesa e dói demais
Nunca mais deixarei de ouvir conselhos da razão
Não me apraz ser de novo um prisioneiro da ilusão
Aliás nem sei se serei feliz ou não
Eu nada espero o que eu não quero é sofrer mais

Vou ter mais cautela agora, palavra de rei
Porque me recordo bem do pranto que chorei
E lágrima de amor quando se desfaz
Na correnteza da dor carrega a paz
Por isso eu não vou voltar atrás
O que eu chorei já não choro mais, nunca mais